“Uma Mercedes não é mais dona de uma rua que uma bicicleta”

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O ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa. / Colin Hughes/Flickr

Quando foi prefeito de Bogotá, entre os anos de 1998 e 2001, Enrique Peñalosa foi responsável pela implementação de 300 quilômetros de ciclovias pela cidade. Hoje a capital colombiana tem cerca de 392 quilômetros e tornou-se referência internacional em mobilidade, com diversos prêmios internacionais conquistados nos últimos anos. Conhecido por seu discurso a favor das bicicletas e à restrição ao uso de carros nos grandes centros, Penãlosa estará no Brasil no dia 09 de setembro para participar da Cúpula dos Prefeitos, no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao EL PAÍS, concedida por telefone, o político da Aliança Verde falou sobre os incentivos ao uso das bicicletas – e suas críticas – em São Paulo, os problemas de mobilidade e trânsito na cidade e quais seriam as possíveis soluções.

Pergunta. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tem sido muito criticado pela maneira como está implementando corredores de ônibus e ciclovias. Como fazer mudanças em uma cidade e, ao mesmo tempo, sobreviver às críticas?

Resposta. Creio que a mudança é sempre difícil. Ao menos as mudanças boas. A responsabilidade de um governante não é sair bem nas pesquisas, mas sim frente à história e ao futuro. Um governante responsável tem que tomar decisões impopulares que só são compreendidas muito mais tarde. O recurso mais valioso que uma cidade tem é o espaço entre os edifícios, ou seja, as ruas. E esse recurso não pertence mais a uma Mercedes do que a uma bicicleta. Não importa se é um menino de 10 anos ou um milionário de 50 anos em um carro de luxo. Então como distribuir o espaço das ruas entre pedestres, ciclistas, ônibus e automóveis? Quem decidiu que se deveria dar mais espaço aos estacionamentos dos carros do que às calçadas e às ciclovias?

P. Bom, um sistema capitalista funciona assim…

R. Não. Hoje, a diferença das cidades avançadas em termos de infraestrutura e transporte não é que tenham metrô ou vias, mas a qualidade das calçadas. Ter boas calçadas é um direito. Ao mesmo tempo em que ter vias em São Paulo que não tenham espaço para ônibus é algo antidemocrático. Mesmo se houver metrô em cima da terra, deveria haver linhas de ônibus ou VLT em cima.

P. Uma das críticas a Haddad é que a Prefeitura está implementando ciclovias em locais que são pouco utilizados por ciclistas.

R. O cidadão que usa bicicleta está ajudando a cidade para que ela tenha menos tráfego e menos poluição. Em Bogotá, 600.000 pessoas usam bicicletas todos os dias. Não temos o dilema do ovo e da galinha: Aqui, primeiro deve haver ciclovias protegidas para, depois, surgirem os ciclistas. Havia uma ciclovia em Bogotá que ninguém usava. Agora, há congestionamento. Implementar ciclovias é um experimento que vale a pena fazer e que no começo pode ser difícil, mas acho que São Paulo tem uma grande vantagem que é ter um clima muito amável, não faz frio como na Suécia e no verão não faz um calor de 50 graus. Então imagine uma cidade de São Paulo onde dois milhões de pessoas andem de bicicleta. Seria uma cidade alegre, sensual, segura, com menos crime. Creio que seja preciso criar espaço em todas as ruas para as bicicletas.

P. O senhor acha então que é uma questão de costume?

R. Quando eu era estudante em Paris, e isso já faz muito tempo, ninguém usava bicicleta. Hoje, a meta de Paris é que em cinco anos, 20% da população ande de bicicleta. Isso em Paris, que tem um sistema de transporte público muito bom.

P. Então uma solução seria restringir o uso do carro?

R. As novas obras urbanísticas de São Paulo propõem restringir o estacionamento nos edifícios [segundo as regras do novo Plano Diretor da cidade]. Mas é preciso limitar o estacionamento nos escritórios e não nas casas. As pessoas podem ter carros, embora eu ache que no futuro elas não vão querer tê-los, já que cada vez os carros são menos símbolo de status. Ter 10 carros é como ter 10 pianos: O problema não é ter, é usar. Então, a questão é restringir os estacionamentos nos lugares de destino, como os escritórios e centros comerciais. Não nas casas. É preciso restringir o uso e não a aquisição do carro. O transporte massivo tampouco resolve o problema do trânsito. Ele contribui com a mobilidade.

P. Então como reduzir, efetivamente, o engarrafamento?

R. A única maneira de reduzir o engarrafamento é restringindo o uso de carro, com os rodízios, por exemplo. Quando implementamos o rodízio em Bogotá, eram dois dias por semana de restrição. Agora são três.

P. E como é o trânsito em Bogotá agora?

R. Terrível.

P. Mas qual é a solução então?

R. Aqui é preciso ter mais VLT, mais metrôs e restringir ainda mais o uso dos carros. São duas coisas distintas: trânsito e mobilidade. Para resolver a mobilidade, é preciso investir nos meios de transporte coletivos, no metrô e no uso da bicicleta. Já o trânsito, só é possível ser resolvido com restrições ao uso do carro.

P. Dizer a um cidadão que ele não pode usar seu próprio carro não é uma medida radical?

R. É preciso tomar medidas radicais. Diversas medidas que os governantes têm que tomar incomoda muito uma minoria, que protesta muito. E os que se beneficiam, que são aqueles que usam ônibus e bicicletas, não agradecem. Então é muito difícil. Haddad tem que tomar decisões impopulares, pensando na maioria que não vai agradecê-lo.

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Ainda batendo na mesma tecla…

Ontem falei sobre sustentabilidade e o quanto custa tirar o carro do lugar…
Além disso, tem também o espaço que o carro ocupa… Enquanto as pessoas ainda reclamam do mínimo espaço das ciclovias, veja a proporção disso…
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E olha que os carros eram bem menores…

Acho que precisamos realmente colocar a mão na consciência, né?

Sobre a sua pegada no mundo

As pessoas sempre falam sobre o que deixamos no mundo, sustentabilidade, reciclagem, um mundo melhor para nossos filhos…
Mas, na verdade, o que as pessoas fazem para um mundo melhor?
Qual o empenho, se não por você, mas por seus filhos/sobrinhos/irmãos, de ter mais saúde e causar menos danos no planeta?

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Observe bem, o quanto custa para tirar o SEU carro, com SÓ VOCÊ dentro, do lugar. 🙂

rePENSE.

Uma visão de como é pedalar na cidade

A MTV em parceria com a UFO produziu esse vídeo sensacional:

FICOU DO CARALHO!!!

Time de ferinhas:
Lead Creative Direction: VIMN MTV World Design Studio, Milan
Creative Director: Roberto Bagatti
Associate Creative Director: Anna Caregnato
Art Director: Heric Abramo
Senior Producer: Cristina Mazzocca
Coordinator: Beatrice Cardile
Production Company: Mathematic/UFO
Director : UFO (FX Pourre)
Creative Producer : Rebecca Rice
Designer / Illustrator : Gerhard Human
Post Production : Mathematic (Mathematic.tv)
Modelling 3D : Yann Glica, Farid Dridi
Rigging : Sebastien Eballard, Simon Reynaud
2D animation : Laurent Box, Ruben Sellem, Nicolas Toujan
3D animation : Sebastien Eballard, Nicolas Dabos
Compositing : Emeric Samier, Maeva Sol, FX Pourre
Rendering : FX Pourre, Emeric Samier
Sound Design + Music : AOC Production
Compositors : Fabrice Smadja, Pascal Ebony

Eu vi aqui.

ONU reconhece importância da bicicleta para o desenvolvimento sustentável


Fonte
O secretário-geral das Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, espera que a cultura da bicicleta continue crescendo nas cidades. Segundo ele, a bicicleta não é apenas um meio de transporte de baixo carbono, mas também é benéfica para a saúde das pessoas e uma importante ferramenta para o desenvolvimento sustentável.

“Eu prefiro muito mais ver bicicletas e ciclistas por aqui que as limousines, SUVs blindados e outros veículos beberrões de gasolina que nós usamos nas Nações Unidas”, disse Ban Ki-moon à oficiais da ONU, diplomatas e membros de organizações da sociedade civil que participaram de uma pedalada, realizada no último dia 8 em Nova York, para destacar os benefícios da bicicleta como meio de transporte urbano sustentável.

O passeio foi organizado pelo embaixador holandês Herman Schaper como preparação para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e precedeu a primeira reunião de um grupo de trabalho que irá produzir um programa de transporte sustentável.

A mobilidade é uma questão central da agenda atual da ONU, com a ênfase no transporte urbano. Os bancos multilaterais devem oferecer bilhões de dólares para financiamentos nos próximos anos.

O assistente secretário-geral Steltzer deu instruções sobre a finalidade do programa e arranjos institucionais entre a ONU e os governos, ONGs e o setor privado. Ele também sugeriu a composição de um painel de alto nível para aconselhar e apoiar o secretário-geral.

A Cycling Embassy, da Holanda, entidade governamental para promoção da cultura da bicicleta, participa do grupo de trabalho que irá entregar um relatório em novembro.

Advogado da bicicleta

“No ano passado, em um discurso sobre a saúde, eu mencionei que as bicicletas são ótimas para o nosso corpo e para o nosso planeta. No dia seguinte, um blog me chamou de ‘o mais novo advogado mundial da bicicleta’. Eu gosto desse título”, disse o secretário-geral.

Ban Ki-moon disse ainda que a Rio+20 será uma oportunidade para os países chegarem a acordo sobre abordagens mais limpas e mais verde para o desenvolvimento, incluindo o transporte sustentável.

“As bicicletas são importantes, mas são apenas parte de um quadro maior: os nossos esforços globais devem ser para alcançarmos um desenvolvimento verdadeiramente sustentável. Nosso desafio é fazer com que o mundo utilize energia renovável para alimentar os nossos trens, aviões, ônibus e barcos. Isto é especialmente importante para as cidades “, acrescentou.

E tudo isso só quer dizer que somos incríveis!
Que os bikers estão fazendo um amanhã melhor!
#juntossomosmaisfortes
#vaiplaneta

Dia de Bike ao Trabalho

Pessoal, hoje foi dia de ir de bike ao trabalho!

E logo eu, furei! hahaha (mas por que eu tenho um compromisso importante!)

Mas a ideia é genial e ajuda muitas pessoas a perceberem como é fácil andar de bicicleta pela cidade e como você ganha VIDA com isso.

A ideia é desse pessoal aqui:

http://debikeaotrabalho.org/sobre/

Lembre-se: